Campala, 14 mai (EFE).- Uganda, Ruanda, Tanzânia e Etiópia assinaram hoje o chamado “Acordo de Entebbe” sobre a administração e utilização das águas do rio Nilo, apesar da ferrenha oposição do Egito e do Sudão, os maiores beneficiados dos tratados anteriores, que remontam à época colonial europeia.
Quênia, a República Democrática do Congo (RDC) e Burundi prometeram assinar mais adiante o novo tratado do Nilo.
Os estados da bacia do Alto Nilo se opõem aos acordos de 1926 e 1959 que deram mais poderes e vantagens ao Egito e Sudão sobre como são utilizadas as águas do rio.
O novo pacto representa, além disso, um desafio à dominação do Governo egípcio que exerce poderes de veto sobre este curso fluvial que poderes outorgados em 1929 por um tratado com o Reino Unido, a antiga potência colonial.
As autoridades do Cairo e Cartum, que segundo o acordo de 1959 controlam mais de 90% do fluxo do Nilo, se opõem a um novo tratado pois temem que sua provisão de água se veja reduzida em grande parte se os outros sete países desviarem parte do rio para seus próprios projetos de irrigação e geração de energia hidroelétrica.
A ministra de Água e Meio ambiente de Uganda, María Mutagamba, disse que os outros países da bacia do Nilo também assinarão o tratado rubricado hoje em Entebbe. O processo de ratificação do texto deve levar ainda um ano.
“Os estados ribeirinhos do Nilo inauguraram hoje, 14 de maio de 2010, o Acordo do Marco Cooperativo da Bacia do Nilo, cuja assinatura estará aberta por um ano até o dia 13 de maio de 2011″, disse a ministra.
O ministro de Águas egípcio, Mohammed Allam, reagiu no Cairo à assinatura do novo acordo dizendo que qualquer tratado sobre o Nilo que não conte com o apoio do Egito e do Sudão “não será vantajoso para nenhum país da bacia” e que seu país tomará todas as medidas legais e diplomáticas necessárias para defender seus direitos sobre as águas do rio.
Fonte: Portal G1



