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Esfriamento do Pacífico explica hiato do aquecimento global

Folha de São Paulo

Apesar de os anos mais quentes da história terem sido 2005 e 2010, a média no período dos últimos 15 anos indica que a temperatura do planeta parou de subir.

Esse hiato no aquecimento global tem sido vastamente explorado por céticos que questionam a influência humana na mudança climática, mas um novo estudo diz ter a explicação para o fenômeno inesperado: um resfriamento periódico das águas equatoriais do Pacífico é o culpado por mascarar o aquecimento do planeta.

Não é a primeira vez que ocorre uma pausa na subida da temperatura média mundial, mas desta vez o platô que aparece nos gráficos de temperatura é um pouco mais longo.

Segundo um estudo publicado no início do ano por Ed Hawkins, da Universidade de Reading, no Reino Unido, se as temperaturas continuarem mais ou menos estáveis, elas entrarão fora da margem de erro da maioria das simulações climáticas quem vêm tentando prever o comportamento da Terra sob alta concentração do CO2.

Isso não ocorreu com platôs observados em outros períodos, como na virada da década de 1970 para 1980 e no meio dos anos 1990, quando a temperatura retomou a subida abruptamente após períodos de pausa.

Dentro ou fora da margem de erro, porém, as razões pelas quais o gráfico do clima têm adquirido uma forma similar à de uma escada –com rampas seguidas de platôs– ainda são mal compreendidas. Alguns estudos sugeriram que o fenômeno tem a ver com a atividade do Sol e outros afirmaram que a presença de mais vapor ou aerossóis na estratosfera está ajudando a frear o aquecimento.

Segundo um trabalho de Yu Kosaka e Shiang-Ping Xie, do Instituto Scripps, da Califórnia, o fenômeno que explica melhor o platô dos últimos 15 anos é mesmo o resfriamento do oceano Pacífico.

Construindo um modelo de computador que simula o clima da Terra levando em conta esse fenômeno, os cientistas conseguiram reproduzir o contorno dos gráficos de clima da última década, com platôs e rampas no lugar certo. O estudo está na edição desta semana da revista “Nature”.

“O hiato atual é parte da variabilidade natural do clima”, escrevem Xie e Kosaka. “Apesar de hiatos similares poderem ocorrer no futuro, é muito provável que a tendência de aquecimento em múltiplas décadas continue à medida que os gases do efeito estufa aumentam.”

Segundo os cientistas, o que acontece no resfriamento de águas do Pacífico é um fenômeno com ciclos “interdecadais” –que duram mais de uma década– intercalados, mas que não têm tempo de duração fixo.

“Este resfriamento no Pacifico Leste, na costa do Chile, tem se observado durante as décadas mais recentes e, desde meados da década de 1970, tem chegado a menos 1 C°”, afirma José Marengo, climatologista do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

“Isso está associado a um centro de alta pressão sobre o Pacifico Sul, o que gera também maiores afloramentos de água sobre as costas do Chile e do sul do Peru. As águas que vêm de níveis mais profundos para a superfície são águas frias e por isso incorrem em registro de temperaturas mais baixas na superfície.”

Segundo o pesquisador, o fenômeno é parte de variações interdecadais que duram de 25 a 30 anos. Com o ciclo de estabilização e a subida da temperatura tendo começado na década de 1970, já estaríamos bem próximos de uma retomada da tendência de aquecimento.

A implicação de águas profundas no resfriamento de partes do oceano se junta a outras evidências recentes de que parte do calor do aquecimento global vai parar no fundo do mar de tempos em tempos. Uma pesquisa publicada no início do ano pelo Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos EUA estima que 30% do aquecimento dos oceanos nos últimos dez anos tenha ocorrido em águas profundas, abaixo de 700 metros, por calor “roubado” da superfície.

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